Ela não existe.
Mas espalhadas pela nossa vida aparecem pessoas que chegam perto disso. Como amigos que a gente vai encaixando em cada espaço e necessidade nossos, a gente também encaixa a pessoa – ou pessoas – que é “a pessoa perfeita”.
E a gente escolhe a pessoa perfeita, e continua escolhendo até não escolher mais. Luto, escolhemos outra. (Ou não.) Talvez a gente que não é escolhido. Enfim.
O fato é que existem muitas pessoas perfeitas com quem vamos cruzar e escolher e encaixar nos nossos espaços, mas elas são únicas no sentido de que aquele sentimento e aquela vivência vão ser apenas delas, com elas, para elas. Talvez seja uma memória ruim, uma memória boa, mas é única. Algumas marcam mais, ou menos, ficam mais tempo, vão mais cedo, mas no quadro que a gente pendura na parede de memórias é ela: outro espaço, mas sempre dela.
De vez em quando, é raro, algumas delas, a gente reencontra. Podemos passar um tempão, ou a vida, esperando um reencontro. Podemos sorrir lembrando e seguir em frente.
De vez em quando a gente se arrepende (do que for), a gente faz o melhor (o que for) e a gente faz o que tem que ser feito. De vez em quando uma pessoa perfeita passa pela gente numa hora bem ruim e a gente não pode escolher.
De vez em quando a saudade é uma forma de amor.
Pra muitas dessas pessoas eu devo desculpas, algumas me devem, a maioria a gente não se deve nada. Mas pra uma em especial eu devo não só desculpas, mas gratidão.
Obrigado. Saudade. Desculpa.
