Mix tape: de novo

Black and white old movie retro gramophone. Vintage turntable big needle, vinyl

(Esse texto foi escrito no encarte de um CD que eu gravei para uma crush recentemente. Já falei sobre isso aqui.)

Era bem comum entre as décadas de 70 e 90 a prática de se trocar fitas cassetes gravadas com seleções personalizadas especialmente para o receptor – uma forma de afeto e legitimação dele.

Uma mix tape era um meio de comunicação especialmente carregado de emoções. Era também um investimento afetivo, um trabalho de carinho – de qualidade e energia investidos, de aplicação emocional, como uma carta para alguém íntimo.

Selecionar e gravar era todo um ato de amor, até porque envolvia esforço, a ocupação, a produção à mão. Não pode ser repetido, não vai haver outra mix tape igual. Ela é exclusiva, singular, única.

É uma forma de comunicar o que eu sinto e você decodifica uma declaração. É algo pessoal: é o que eu gosto.

Infelizmente (?) eu não posso gravar uma fita cassete para você, o mais perto que eu consegui foi um CD. Mas a intenção é a mesma e persiste.

Enfim… Eu gostava de fazer mix tapes para as pessoas importantes na minha vida, para quem eu queria entregar um pedaço de mim ou comunicar algo. Entenda como quiser.

O negócio é que isso aqui nem é um símbolo, uma lembrança, um item de decoração ou um objeto para ser guardado numa caixa em um canto do guarda-roupas e esquecido até ser jogado fora durante uma mudança.

(Eu todo nostálgico, mas era HORRÍVEL quando você estava gravando uma música e o locutor resolvia falar no meio dela!)

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