Razão e impulso

Sempre que alguém me diz “fiz o que o coração mandou” eu entendo que aquela pessoa é fraca em seu autocontrole. “Coração” aí é na verdade impulso – tudo o que fazemos por impulso justificamos com emoções, com o coração. Impulso de querer algo que julgamos bom. Mas… tão ruim quanto seguir apenas o coração é seguir apenas a razão – e bem mais chato.

Equilíbrio. Não separe razão e “coração”.

Acho lindo, na verdade, o ato de impulsividade que faz com que lutemos por algo. Mas… pouca coisa funciona por impulso. Se a pessoa age contra a própria preservação, oras, o impulso não é bom. É como pular de uma ponte porque queremos a sensação de liberdade e a adrenalina e toda a emoção gostosa do momento, mas lá embaixo tudo acaba.

Também acho justo racionalizar as decisões da vida, pesar e pensar nos aspectos e consequências. Por si só parece que isso é limitador. Mas atenção: a razão não é limitadora. Ela apenas diz: “ei, psiu… talvez uma corda elástica amarrada no seu tornozelo antes de pular. Por segurança”.

Há uma expressão inglesa, white knuckles (o ato de cerrar os punhos até o sangue parar de circular), usada para denotar apreensão, tensão, medo… Cabe aqui. Relaxe, solte as mãos, encare as coisas sem desculpas. Talvez não seja tão ruim.

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