Passei tardes (e algumas noites) de frente para o rádio esperando tocar alguma música, para na hora certa apertar o REC; e o ódio me consumia sempre que o locutor falava durante a música. Descobrir o nome das músicas era outra aventura.
Eu sou da geração que gravava mix tape para a pessoa amada.
Mas quando eu comecei a efetivamente fazer isso os gravadores de CD já começavam a popularizar. Enfim… Ainda hoje eu acho muito bonito e gostoso gravar mix tapes. Procurar músicas, aquelas que te fazem sentir certa coisa, ou te lembram algo, fazer a coletânea, sofrer quando ter de tirar alguma que não coube; e transmitir aquilo que você quer dizer, mas não consegue, para a pessoa presenteada.
Penso com carinho no enorme valor que uma mix tape tem. No tempo gasto, no sentimento empregado; no cuidado necessário na escolha das faixas, na sequência em que elas devem ser colocadas; no encarte, um trabalho artístico. O mundo precisa de mais mix tapes, de mais gente disposta a fazê-las.
PS: Conheci a pessoa com quem me casei quando os MP3 já estavam desbancando os CDs, mas fiz questão de gravar uma coletânea para ela. Meu modo de dizer “você é importante para mim”.
Editado em 2018: Minha ex-mulher nunca ouviu o CD. Minha cunhada à época, no entanto, adorou e ficou com ele.
